Estudantes aprendem sobre o povo maia cultivando horta na escola
Iniciativa da Escola Herbert de Souza une prática agrícola, cultura maia e integração entre jovens dos 6ºs e 7ºs anos
Texto: Elton Lyrio
- Foto: Divulgação
O cultivo da milpa, uma técnica agrícola ancestral do povo maia, transformou a rotina dos estudantes dos 6ºs e 7ºs anos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Herbert de Souza, no bairro Jardim da Serra. Durante meses, eles mergulharam no universo dos povos nativos não apenas nos livros, mas plantando milho, feijão e abóbora na horta escolar.
O projeto, chamado “Milpa – Cultivando e aprendendo sobre povos nativos”, promoveu uma aprendizagem integrada de História, Ciências e Geografia, valorizando os saberes indígenas e a sustentabilidade ambiental. Os estudantes aprenderam nas aulas sobre o povo maia, sua forma de vida e relações com a natureza. Fora das paredes da sala de aula, chegou a hora de colocar a mão na massa, ou melhor, na terra. E nesse contato direto, os estudantes encontraram, além do aprendizado, razões para se envolver, aprender e socializar.
A milpa é um sistema agrícola tradicional que cultiva juntos milho, feijão e abóbora (a chamada tríade mesoamericana), aproveitando a cooperação entre as plantas para otimizar o uso do solo, melhorar a nutrição, proteger e manter a fertilidade, além de controlar pragas de forma sustentável. O milho serve como tutor para o feijão, que fixa nitrogênio no solo, e a abóbora cobre o solo, inibindo o crescimento de mato e mantendo a umidade.
Para a diretora Fabíola Vescovi Pedroni Pimentel, a experiência foi marcante. Entre enxadas e sementes, os estudantes puderam enxergar o valor do próprio esforço, desenvolvendo senso de pertencimento e responsabilidade. Ela relata que a atividade ofereceu não só conhecimento rural prático, fundamental para muitas famílias do entorno da escola, como também um espaço de convivência que impulsionou autoestima e vínculos.
“Percebemos o quanto a vivência prática permitiu que cada estudante descobrisse e demonstrasse potencialidades diferentes. Muitos saíram transformados, com novos aprendizados e laços mais fortes com amigos, professores e a própria escola”, conclui.